Deixem-se de histórias, os bebés vêm de Paris!

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Deixem-se de histórias, os bebés vêm de Paris!
Ora, aí está!
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Imagino que lhe tenham falado de umas sementinhas que foram ter à barriga da sua mãe... mas – acredite! – os bebés vêm de Paris.




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Eu sei que já lhe tentaram explicar muitas vezes de onde vêm os bebés. Imagino que lhe tenham falado de umas sementinhas que foram ter à barriga da sua mãe. E de outras histórias mais ou menos assim. Mas – acredite! – os bebés vêm de Paris.


Pergunta você:
– Há, em Paris, uma fábrica que fornece bebés para todo o mundo?
– Não!... Na verdade, sempre que as pessoas crescidas falam de Paris querem dizer que, mais importante que essas histórias de sementinhas, é que o pai e a mãe gostem, tanto (mas tanto, tanto) um do outro que, só por causa disso, um bebé acabou por nascer. Mas como gostar tanto assim duma pessoa parece ser tão pouco uma coisa de todos os dias, as pessoas crescidas imaginam que Paris talvez seja, para os namorados, um lugar um bocadinho longe. Mas cheio de magia! Assim como… o país do Natal. Paris é um faz-de-conta, entende? «Faz de conta que os bebés vêm de Paris» quer dizer: um bebé nosso e bonito só pode ter vindo dum lugar bonito e luminoso! Dum sítio arrebatador e especial. No bico duma cegonha… (É verdade! Os pais fazem de conta que os bebés vêm de Paris no bico duma cegonha! Veja bem aquilo que eles confabulam, sem darmos por isso!...) Mas é uma maneira de dizerem que cada bebé se parece com um anjo. Como não tem asas, é como se voasse protegido por essas aves que são muito cuidadosas com os seus ninhos, e que são altas e lindas, quando voam. Tudo era mais fácil se os seus pais se deixassem de histórias e lhe dissessem que o amam tanto que até custa imaginar que não tenha vindo do céu. Ou que você é o menino Jesus em pessoa… Seja como for, é por tudo isto que eu acho que todas as crianças deviam ficar orgulhosas quando lhes dizem que, para nascerem, vieram de Paris.

É claro que, no fundo, no fundo, enquanto os pais nos encantam com histórias – como a de Paris – a sua mãe foi-se achando um bocadinho fada. E eu sei que como ela fica vaidosa se lho disser muitas vezes!… Mas a sua mãe é mesmo fada, sabe? Primeiro, porque fala das histórias duma forma tão bonita que é difícil que não acredite nelas. Depois, porque ela adivinha aquilo que você sente. É fada quando o olha nos olhos, com meiguice, e quando o aperta. E é fada porque o seu amor é fofo. Que mais podia uma fada fazer por si, não é? Repare bem… Quando um bebé se aninha e adormece nos braços da sua mãe, não está frio e não chove, e não há trabalhos de casa para ele. Na verdade, há pessoas tão especiais para nós que custa, até, imaginarmos que se constipem, que fiquem rabugentas ou que façam birras. Das grandes. São pessoas de verdade. Mas parecem vir do céu. Aqui entre nós, que a sua mãe não nos ouve, eu acho que – se Paris é um faz-de-conta com que nos falam dum lugar onde todos gostam muito, muito (mesmo muito) de nós – os bebés, se calhar, nunca deixam de viver em Paris. Lembra-se que lhe disse que Paris era um lugar onde parecia ser Natal, todos os dias? Então, não é só antes de nascerem que parecem anjos, e que voam. Depois de nascerem, também será assim. E – veja bem – quem embala os bebés e faz de cegonha é a mãe. E, claro, o pai, também.
Pensava que só as crianças é que acreditavam em histórias um bocadinho mágicas… Na verdade, bebés no bico das cegonhas, fadas ou, até, o Pai Natal não parecem de verdade, não é? De certa forma, não são. Você não os vê, quando anda pela rua, por exemplo. Mas não são bem mentira! As pessoas crescidas – quando não conseguem falar de todas as coisas bonitas que sentem e que gostavam de ser capazes de dizer umas às outras – inventam histórias. As histórias são uma forma delas falarem com o coração. Percebe? Por exemplo: as crianças contam ao Pai Natal os seus desejos. Escrevem-lhe cartas muito grandes (talvez porque achem que ele esteja mais ou menos patarouco e não consiga adivinhar tudo aquilo que elas querem). Os pais não escrevem ao Pai Natal, é verdade, mas também têm um coração cheiinho de desejos. Às vezes, ainda mais desarrumados do que o quarto das crianças! Mas fazem de conta que isso só é próprio das crianças…
– Mas se a mãe o pai não fazem uma lista com desejos, como é que alguém os adivinha? (está você, agora, a perguntar).





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